quarta-feira, 13 de abril de 2011

Clareando as coisas...



O autismo é um transtorno que não tem um marcador físico, portanto as pessoas podem se deparar muitas vezes com autistas sem perceber ou até ter um em seu convívio e não se atentar para isso. Sendo assim, o que as pessoas sabem sobre estas "pessoinhas" diz respeito ao estereótipo que foi criado. 
Perdi a conta de quantas vezes ouvi frases como "Nossa que legal você trabalha com autismo, são aquelas crianças que tem seu próprio mundo né?" ou "Eles ficam mesmo o tempo todo balançando o corpo?" ou "Eles não gostam de carinho e não interagem né?".
Na maior parte das vezes o que prevalece é a dúvida: "Como é um autista?"

Temos que quebrar os mitos criados a respeito do autismo para que eles possam ser mais bem compreendidos e aceitos pelas pessoas...

O Mito: os autistas têm mundo próprio.
A Verdade: os autistas têm dificuldades de comunicação, mas mundo próprio de jeito nenhum. O duro é que se comunicar é difícil para eles, nós não entendemos, acaba nossa paciência e os conflitos vêm. Ensiná-los a se comunicar pode ser difícil, mas acaba com estes conflitos. 

O Mito: Os autistas são super inteligentes.
A Verdade: assim como as pessoas normais, os autistas tem variações de inteligência se comparados um ao outro. É muito comum apresentarem níveis de retardo mental.

O Mito: os autistas não gostam de carinho.
A Verdade: todos gostam de carinho, com os autistas não é diferente. Acontece que alguns têm dificuldades com relação a sensação tátil, podem sentir-se sufocados com um abraço por exemplo. Nestes casos deve-se ir aos poucos, querer um abraço eles querem, a questão é entender as sensações. Procure avisar antes que vai abraça-lo, prepare-o primeiro por assim dizer. Com o tempo esta fase será dispensada. O carinho faz bem para eles como faz para nós.

O Mito: Os autistas gostam de ficar sozinhos.
A Verdade: os autistas gostam de estar com os outros, principalmente se sentir-se bem com as pessoas, mesmo que não participem, gostam de estar perto dos outros. Podem as vezes estranhar quando o barulho for excessivo, ou gritar em sinal de satisfação, quando seus gritos não são compreendidos, muitas vezes pensamos que não estão gostando. Tente interpretar seus gritos.

O Mito: Eles são assim por causa da mãe ou porque não são amados.
A Verdade: o autismo é um distúrbio neurológico, pode acontecer em qualquer família, religião etc. A maior parte das famílias em todo o mundo tendem a mimá-los e superprotegê-los, são muito amados, a teoria da mãe geladeira foi criada por ignorância, no início do século passado e foi por terra pouco tempo depois. É um absurdo sem nexo.

O Mito: os autistas não gostam das pessoas.
A Verdade: os autistas amam sim, só que nem sempre sabem demonstrar isto. Os problemas e dificuldades de comunicação deles os impedem de ser tão carinhosos ou expressivos, mas acredite que mesmo quietinho, no canto deles, eles amam sim, sentem sim, até mais que os outros.

O Mito: os autistas não entendem nada do que está acontecendo.
A Verdade: os autistas podem estar entendendo sim, nossa medida de entendimento se dá pela fala, logo se a pessoa não fala, acreditamos não estar entendendo, mas assim como qualquer criança que achamos não estar prestando atenção, não estar entendendo, de repente a criança vem com uma tirada qualquer e vemos que ela não perdeu nada do que se falou, o autista só tem a desvantagem de não poder falar. Pense bem antes de falar algo perto deles.

O Mito: O certo é interná-lo, afinal numa instituição saberão como cuidá-lo.
A Verdade: Toda a criança precisa do amor de sua família, a instituição pode ter terapeutas, médicos, mas o autista precisa de mais do que isto, precisa de amor, de todo o amor que uma família pode dar, as terapias fazem parte, uma mãe, um pai ou alguém levá-lo e trazê-lo também.

O Mito: Ele grita, esperneia porque é mal educado
A Verdade: o autista não sabe se comunicar, tem medos, tem dificuldades com o novo, prefere a segurança da rotina, então um caminho novo, a saída de um brinquedo leva-os a tentar uma desesperada comunicação, e usam a que sabem melhor, gritar e espernear. Nós sabemos que isto não é certo, mas nos irritamos, nos preocupamos com olhares dos outros, as vezes até ouvimos aqueles que dizem que a criança precisa apanhar, mas nada disto é necessário, se desse certo bater, todo o burro viraria doutor! Esta fase de gritar e espernear passa, é duro, mas passa. Mesmo que pareça que ele não entenda, diga antes de sair que vai por ali, por aqui etc. e seja firme em suas decisões. Não ligue para os olhares dos outros, você tem mais o que fazer. Não bata na criança , isto não ajudará em nada, nem a você e nem a ele. Diga com firmeza que precisa ir embora por exemplo, e mantenha-se firme por fora, por mais difícil que seja. Esta fase passa, eles precisarão ser a firmeza do outro.

Lucy Santos.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Dia Mundial da Concientização do Autismo - 02 de Abril


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Achei interessante inaugurar o Blog divulgando o Movimento de Conscientização do Autismo e assim contribuir para o mesmo. 


Lutamos pelo direito dos autistas à uma melhor qualidade de vida, mas para isso é fundamental que o diagnóstico seja difundido e que a população em geral se atente para os sinais.


Os pais são os primeiros a perceber algo diferente nas crianças com autismo. Se os mesmos se conscientizarem dos sinais precoces do autismo, podemos encurtar muito o caminho até diagnóstico, já que muitas famílias vivenciam quase uma peregrinação para uma diagnóstico certeiro.  Assim, aumenta a possibilidade de o tratamento ser iniciado o quanto antes, assim os danos podem ser minimizados e os resultados são muito melhores. 


Contudo, podem se passar anos até que a família perceba que há algo errado. É muito comum os parentes e amigos reforçarem a idéia de que não há nada errado, dizendo que cada criança tem "seu jeito". Infelizmente isso atrasa o início de uma educação especial.
Sendo assim, a seguir descrevo os primeiros sinais a serem observados pelos pais:
  • Desde o nascimento o bebê pode mostrar-se indiferente à estimulação por pessoas ou brinquedos, focando sua atenção prolongadamente por determinados ítens e não respondendo aos estímulos. Muitas vezes tendem a brincar com movimentos repetitivos das mãos e dedinhos frente aos olhos.
  • Geralmente, as crianças não apresentam comportamento antecipatório, ou seja, a elas não esticam os bracinhos em direção do adulto antes de serem carregadas e também não ajustam seu corpo no colo, se aconchegando.
  • Rejeitam o contato físico, arqueiam as costas para se afastar de quem os leva no colo.
  • Bebê Excessivamente passivo:  permanece em silêncio a maior parte do tempo, ou seja, não realiza demandas nem procura o contato e atenção dos pais. 
  • Excessivamente ativo: trata-se de um bebê que chora praticamente todo o tempo que está acordado, sem momentos de tranqüilidade, e dificilmente consolável.
  •  É possível que um bebê com autismo não responda à presença de outras pessoas (mesmo quando sejam os pais), e que toda sua atenção se dirija para um objeto ou alguma das suas partes durante longos períodos de tempo.
  • A identificação precoce é uma das ferramentas mais importantes para o tratamento do autismo. Por isso, se você notou alguns comportamentos pouco esperáveis em seu filho: fale com o pediatra, peça que esclareça suas dúvidas e observe o bebê.